História da Lagoa da Conceição


A história da Lagoa da Conceição – Florianópolis começou muito antes de a região se tornar um dos lugares mais conhecidos da capital catarinense. Vestígios arqueológicos espalhados pelo entorno da laguna revelam ocupações humanas anteriores à colonização europeia, enquanto sambaquis, oficinas líticas e outros sítios ajudam pesquisadores a reconstruir diferentes momentos desse passado.

A partir do século XVIII, a chegada de famílias vindas principalmente dos Açores modificou profundamente a ocupação da região. O estabelecimento da antiga Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Lagoa, em 1750, consolidou uma comunidade organizada em torno da agricultura, da pesca, da religiosidade e dos vínculos de vizinhança.

Ao longo dos séculos seguintes, essas atividades produziram uma identidade própria, expressa na pesca artesanal, nas canoas de garapuvu, na renda de bilro, no falar manezinho e em um amplo universo de histórias e tradições populares.

No século XX, novos acessos, crescimento populacional, urbanização e turismo alteraram novamente o cotidiano da Lagoa da Conceição – SC. O resultado é um território onde vestígios de diferentes épocas continuam convivendo na mesma paisagem.


🏺 Povos Originários e Sambaquis na Lagoa da Conceição – SC

A ocupação humana do entorno da Lagoa da Conceição é muito anterior ao período colonial. A arqueologia registra diversos sítios associados a populações pré-coloniais que utilizaram os ambientes costeiros, lagunares e florestais da Ilha de Santa Catarina.

Entre os testemunhos mais importantes estão os sambaquis, estruturas construídas ao longo de sucessivas ocupações humanas, formadas principalmente por conchas, sedimentos e outros materiais, muitas vezes acompanhados por restos de fauna, ferramentas, estruturas de combustão e sepultamentos.

Pesquisas da UFSC identificam sambaquis em diferentes pontos do entorno da Lagoa da Conceição e estudam a relação dessas populações com as mudanças ambientais ocorridas durante o Holoceno (época geológica atual). Esses sítios demonstram que a história humana da região não começa com a colonização portuguesa.

É importante também não tratar todos esses vestígios como pertencentes a um único povo. Os construtores dos sambaquis representam ocupações pré-coloniais muito antigas, enquanto outros contextos arqueológicos documentam posteriormente a presença indígena Guarani. Documentação patrimonial do Iphan também registra a presença dos Carijó, grupo Tupi-Guarani historicamente associado à Ilha de Santa Catarina.


Essa distinção evita um erro frequente: considerar os sambaquis simplesmente como construções dos Carijó. A arqueologia demonstra uma história mais longa e composta por diferentes populações e períodos.

🗿 Sítios Arqueológicos da Lagoa da Conceição

O entorno da Lagoa possui uma concentração expressiva de evidências arqueológicas. Pesquisadores da UFSC já realizaram reconhecimento, cadastramento e escavações em vários desses locais.

Em trabalhos de campo do projeto Florianópolis Arqueológica foram visitados, entre outros, o Sambaqui Ponta das Almas, Sambaqui Canto dos Araçás, Sambaqui Canto da Lagoa I, Sambaqui Praia Grande I, Sambaqui Porto do Rio Vermelho I e Sambaqui Porto do Rio Vermelho II. O sítio do Canto dos Araçás também recebeu trabalhos específicos de escavação e delimitação.

Estudos anteriores já apontavam uma quantidade ainda maior de ocorrências. Publicação do Iphan sobre as pesquisas do padre João Alfredo Rohr registra trabalhos envolvendo 17 jazidas ou sítios arqueológicos na zona da Lagoa da Conceição, incluindo materiais líticos, cerâmica, carvão e outras evidências.

Um dos sítios estudados é o Porto do Rio Vermelho 02, localizado na porção norte da Lagoa. Escavações realizadas no fim da década de 1990 revelaram importante conjunto arqueológico e produziram datações que ajudam a compreender ocupações pré-coloniais da região.

A preservação dos sítios arqueológicos da Lagoa da Conceição é fundamental porque esses lugares funcionam como documentos materiais de períodos para os quais não existem registros escritos.

🇵🇹 Colonização Açoriana e Fundação (1750)

A transformação colonial mais significativa da região ocorreu durante o século XVIII, quando a Coroa portuguesa incentivou o estabelecimento de famílias provenientes dos Açores no litoral de Santa Catarina.

O objetivo fazia parte de uma política mais ampla de povoamento e consolidação da presença portuguesa no Sul do Brasil. As freguesias organizavam a ocupação territorial em torno de igrejas, praças, caminhos, casas e áreas produtivas.

No caso da Lagoa, há dois momentos que devem ser diferenciados.

• 1748 — em março, ocorreu o início do povoamento açoriano intensivo da área, com a instalação de um primeiro grupo de imigrantes.

• 1750 — foi instituída a antiga Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Lagoa.

Portanto, 1750 não representa o início da presença humana e nem mesmo o início da ocupação açoriana. É o marco da constituição formal da freguesia. O próprio Iphan registra essa distinção.

A partir desse núcleo, desenvolveram-se atividades ligadas principalmente à agricultura familiar, produção de farinha, pesca e pequenos circuitos locais de troca. A organização comunitária também mantinha forte relação com a religião católica e com as festas e práticas coletivas.

📜 Origem do Nome Lagoa da Conceição

A explicação historicamente documentada para o nome está vinculada à antiga Freguesia de Nossa Senhora da Conceição da Lagoa, instituída em 1750. A denominação religiosa aparece nos registros históricos da localidade e permaneceu associada ao território ao longo do tempo.

Com isso, o nome atual, Lagoa da Conceição, preserva uma referência histórica à devoção a Nossa Senhora da Conceição e à antiga organização paroquial da comunidade.

Essa origem documental deve ser diferenciada das lendas populares que posteriormente passaram a explicar poeticamente os nomes das lagoas da Conceição e do Peri. Essas narrativas fazem parte do patrimônio cultural de Florianópolis, mas não substituem os registros históricos sobre a formação da freguesia.

⛪ Igreja Nossa Senhora da Conceição da Lagoa

A Igreja de Nossa Senhora da Conceição tornou-se um dos principais pontos de organização da antiga freguesia. O templo está diretamente relacionado ao processo de povoamento açoriano e à estrutura religiosa implantada na região durante o século XVIII.

Segundo a história institucional do atual Santuário, a igreja foi construída em 1750 e passou por diversas modificações e reparos ao longo de sua existência. Mesmo com essas intervenções, permanece como importante referência da arquitetura religiosa associada à colonização portuguesa.

Um episódio marcante ocorreu durante a passagem de Dom Pedro II por Desterro, em 1845, quando houve auxílio relacionado à aquisição de uma custódia de prata para a igreja. Em nova visita, em 1861, o imperador presenteou o templo com dois sinos.

A importância patrimonial ultrapassa o valor religioso. A Igreja Nossa Senhora da Conceição, seu cemitério anexo e a área relacionada à praça receberam proteção estadual pelo Decreto nº 2.998, de 25 de junho de 1998.

Em 1999, o templo foi elevado à condição de Santuário da Imaculada Conceição.

🎣 Pesca Artesanal na Lagoa da Conceição

A pesca moldou durante séculos a relação entre os moradores e as águas da Lagoa. Mais do que uma fonte de alimento, ela participou da organização econômica familiar, da transmissão de conhecimentos e da construção da identidade das comunidades tradicionais.

Pesquisa da UFSC destaca a importância socioeconômica da pesca artesanal na lagoa e registra espécies como tainhas, camarões e siris entre os recursos historicamente explorados pelos pescadores locais.

O trabalho envolvia conhecimentos sobre marés, ventos, épocas de ocorrência das espécies, pontos de pesca, redes, tarrafas e embarcações. Muito desse conhecimento era transmitido entre gerações pela convivência diária.

A pesca artesanal na Lagoa da Conceição também se relaciona diretamente com outras expressões da cultura material local, principalmente a fabricação e utilização das tradicionais canoas escavadas em madeira.

A expansão urbana e as alterações ambientais ocorridas principalmente a partir da segunda metade do século XX modificaram essa atividade. Ainda assim, a pesca continua aparecendo nos estudos patrimoniais como uma das referências culturais ligadas às antigas freguesias.

🛶 Canoa de Garapuvu: uma Embarcação da Cultura Local

Entre os objetos que melhor representam a relação histórica entre os moradores e as águas está a canoa de garapuvu, produzida tradicionalmente a partir do entalhe de um grande tronco.

O Iphan relaciona esse tipo de embarcação ao encontro de conhecimentos indígenas e luso-açorianos ocorrido nas comunidades da Ilha de Santa Catarina. O diagnóstico patrimonial sobre a Lagoa registra a incorporação, pelos colonizadores, de conhecimentos ligados à mandioca e às canoas de garapuvu.

Essas embarcações tiveram grande importância para a pesca artesanal. Pesquisas desenvolvidas na UFSC mostram que o garapuvu, Schizolobium parahyba, possui importância histórica para comunidades pesqueiras catarinenses e que os conhecimentos envolvidos na fabricação artesanal das canoas vêm se tornando cada vez mais raros.

Assim, a canoa não deve ser vista apenas como um meio de transporte antigo. Ela representa um conjunto de técnicas, conhecimentos ambientais e práticas de trabalho transmitidos entre gerações.

🧵 Renda de Bilro e Artesanato Tradicional

A renda de bilro está entre as manifestações culturais mais associadas às comunidades tradicionais de Florianópolis e possui ligação particularmente forte com a Lagoa da Conceição.

A técnica chegou ao litoral catarinense dentro do contexto cultural açoriano e passou a fazer parte da economia doméstica de muitas famílias. Enquanto diferentes atividades relacionadas à pesca eram realizadas pelos homens, a produção da renda tornou-se uma forma importante de trabalho artesanal e complementação da renda familiar para muitas mulheres.

As rendeiras trabalham utilizando uma almofada, moldes e pequenos bilros que conduzem os fios. A combinação desses elementos permite produzir diferentes desenhos e pontos tradicionais.

Na Lagoa da Conceição, essa tradição ganhou tamanha projeção que a região se tornou uma das principais referências da prática em Florianópolis. Pesquisas e projetos da UFSC registram a presença continuada de rendeiras na comunidade.

O próprio Centro Cultural Bento Silvério passou a sediar ações destinadas à valorização desse saber, incluindo o Centro de Referência da Renda de Florianópolis.

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🧙 Lendas e Folclore: Peri, Conceição e as Bruxas da Ilha

A história documental da Lagoa convive com outro tipo de memória: o imaginário popular. Bruxas, feiticeiras, lobisomens, boitatás e acontecimentos sobrenaturais aparecem há gerações nas histórias transmitidas entre moradores da Ilha de Santa Catarina. O próprio diagnóstico do Iphan reconhece essas narrativas como parte das referências culturais relacionadas à Lagoa.

Uma das histórias mais conhecidas associa a Lagoa do Peri à Lagoa da Conceição. Segundo a lenda, Peri seria um indígena apaixonado por Conceição, uma jovem bruxa. O relacionamento teria sido proibido e, após a descoberta dos encontros, Peri teria sido transformado na Lagoa do Peri. Conceição teria chorado tanto pela separação que suas lágrimas formariam a Lagoa da Conceição. A narrativa é apresentada dessa maneira em material institucional ligado à UFSC.

As lendas da Lagoa da Conceição devem, porém, ser entendidas como folclore. Elas não constituem explicações históricas comprovadas sobre a origem geográfica ou o nome das lagoas.

Grande parte da valorização moderna desse universo fantástico de Florianópolis está relacionada também ao trabalho do artista, pesquisador e folclorista Franklin Cascaes, que registrou histórias, crenças e personagens do imaginário ilhéu. A própria Fundação Cultural de Florianópolis utiliza suas pesquisas em ações de preservação e difusão do folclore local.

🗣️ Dicionário do Manezinho: o Falar Tradicional de Florianópolis

O chamado manezês ou falar manezinho representa outra manifestação da identidade cultural de Florianópolis. Pesquisas linguísticas da UFSC mostram que o modo de falar, o vocabulário e determinadas construções gramaticais aparecem entre os elementos associados à identidade do manezinho da Ilha.

Não existe, porém, um único “dicionário oficial” ou uma fala idêntica em toda a cidade. O vocabulário varia conforme geração, comunidade e contexto.

Algumas expressões amplamente registradas são:

• Ixtepô — pessoa que incomoda ou atrapalha, geralmente utilizada em tom de brincadeira.

• Dazumbanho — expressão de aprovação, usada quando alguém faz algo muito bem.

• Arrombassi — forma enfática de elogiar alguém que se saiu muito bem.

• Mofas com a pomba na balaia — indica que alguém pode esperar muito por alguma coisa sem conseguir o resultado desejado.

• Segue toda vida reto — orientação para continuar seguindo em frente.

• Bucica — maneira popular de chamar uma cadela.

• Olhó lhó — interjeição equivalente a algo como “olha isso” ou “olha aí”.

• Tu visse? — construção tradicional do falar local, associada ao uso frequente da segunda pessoa e a características fonéticas próprias do português falado em Florianópolis.

Parte dessas expressões também integra o espaço dedicado à cultura manezinha no Museu de Florianópolis.

O interesse histórico desse vocabulário não está apenas nas palavras. Ele mostra como isolamento geográfico, herança linguística portuguesa, relações comunitárias e transformações sociais deixaram marcas até mesmo na maneira de falar.

🏠 Casarão Bento Silvério e a Memória Cultural da Lagoa

O Casarão Bento Silvério, conhecido também como Casarão da Lagoa, representa uma etapa bastante diferente da história local: a chegada de novas tecnologias de comunicação à região no início do século XX.

Documentação do Plano Municipal de Cultura de Florianópolis informa que os dois imóveis que formam o atual Centro Cultural Bento Silvério foram construídos em 1912 originalmente para abrigar uma estação radiotelegráfica.

Décadas depois, o Casarão foi transferido para a Prefeitura de Florianópolis e adaptado para atividades culturais. O espaço passou a receber biblioteca, exposições, oficinas e atividades ligadas às manifestações tradicionais da Ilha.

O nome homenageia Bento Silvério (1951–1987), jornalista e escritor catarinense ligado ao Distrito da Lagoa da Conceição. O Arquivo Público de Santa Catarina registra também sua atuação literária, incluindo a publicação do livro de contos Entropia e Evasão, em 1980.

Atualmente, o Casarão funciona como importante elo entre patrimônio construído e manifestações culturais, especialmente a renda de bilro e outras atividades mantidas pela comunidade.

📡 Estação Radiotelegráfica da Lagoa da Conceição

A antiga Estação Radiotelegráfica da Lagoa da Conceição evidencia como a região começou a participar das transformações tecnológicas do início do século XX.

Instalada no conjunto construído em 1912, a estação utilizava radiotelegrafia para a transmissão de informações a distância. Segundo a Prefeitura de Florianópolis, sua função estava relacionada à comunicação marítima, ao apoio à navegação e ao monitoramento do litoral.

A existência dessa estrutura é particularmente relevante porque mostra uma Lagoa diferente daquela normalmente associada apenas à pesca e ao modo de vida rural. Já no início do século XX, a região participava de uma rede técnica de comunicação ligada à navegação.

Após o encerramento dessa função, os prédios sobreviveram e ganharam novas utilizações. Essa reutilização permitiu que uma estrutura ligada à modernização tecnológica se transformasse posteriormente em espaço de preservação cultural.

🪨 Pedra do Biguá e um Vestígio da Radiotelegrafia

Um elemento curioso dessa história voltou a ganhar destaque em 2026, durante obras nas proximidades da ponte da Lagoa da Conceição.

Um grande bloco rochoso com sinais de intervenção humana foi localizado próximo à antiga cabeceira da ponte, no lado da Avenida das Rendeiras. A peça possui perfurações e vestígios de ferro e madeira. Segundo a Prefeitura, uma das hipóteses é que tenha servido como suporte de uma estrutura ligada à antiga estação radiotelegráfica.

Depois da desativação da estação, o objeto ficou conhecido entre moradores como Pedra do Biguá, incorporando-se à memória coletiva local.

O acompanhamento arqueológico associado às obras seguiu diretrizes do Iphan. A peça ganhou relevância porque conecta um vestígio físico encontrado no presente a uma infraestrutura tecnológica instalada há mais de um século.

A Pedra do Biguá mencionada nesse contexto histórico não deve ser confundida automaticamente com referências geográficas semelhantes, como a Ponta do Biguá.

🌆 Da Vila de Pescadores ao Point Turístico: a Lagoa no Século XX

Durante grande parte de sua história, a Lagoa da Conceição manteve características de uma comunidade rural e pesqueira relativamente afastada do núcleo urbano de Florianópolis. A dificuldade de transpor os morros e a precariedade dos antigos acessos ajudavam a estabelecer uma dinâmica local própria.

Esse cenário começou a mudar de forma mais rápida durante a segunda metade do século XX. Melhorias viárias na década de 1970 facilitaram a integração da região a outras áreas da cidade, favorecendo novos loteamentos e estimulando a chegada de moradores. Estudos da UFSC registram essa ligação entre melhoria dos acessos, crescimento populacional e transformação da ocupação territorial.

Nas décadas de 1980 e 1990, o turismo passou a adquirir peso econômico muito maior. Comércio, serviços e atividades voltadas ao lazer se intensificaram, enquanto moradores vindos de outras regiões do Brasil e também do exterior passaram a integrar a população local.

Os dados históricos ajudam a dimensionar a mudança. Entre 1980 e 1991, o crescimento populacional da Lagoa ocorreu em ritmo significativamente superior ao registrado para Florianópolis como um todo.

Foi nesse processo que uma antiga região marcada pela pesca, agricultura, engenhos e pequenos núcleos comunitários ganhou um novo perfil urbano e turístico.

A mudança, entretanto, não eliminou completamente as referências anteriores. Igreja, sítios arqueológicos, pesca, renda de bilro, casarões, linguagem e folclore continuaram compondo a identidade do lugar.

Essa relevância ganhou reconhecimento nacional recente. Em março de 2025, o Iphan aprovou o tombamento das Freguesias Luso-Brasileiras da Grande Florianópolis, incluindo o núcleo histórico da Lagoa da Conceição. O conjunto foi reconhecido pelos valores históricos, arqueológicos, etnográficos e paisagísticos relacionados à formação dessas comunidades.

🌅 Entender a Lagoa além da paisagem

Conhecer a história da Lagoa da Conceição muda a forma de interpretar o lugar. A paisagem não é apenas resultado da natureza ou da urbanização recente: ela funciona como um território de memória, no qual diferentes formas de ocupação deixaram marcas materiais e culturais.

Arqueologia, arquitetura, técnicas de pesca, artesanato, linguagem e narrativas populares permitem enxergar essas camadas que nem sempre são perceptíveis para quem observa apenas a Lagoa contemporânea.

Preservar esses registros não significa congelar a região no passado. Significa garantir que suas transformações futuras possam ser compreendidas a partir da trajetória de quem construiu, utilizou e atribuiu significado a esse espaço ao longo do tempo.


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